O QUE É A PAISAGEM?
É a extensão de território que se abrange num olhar ao nosso redor, constituída por um conjunto de elementos criados pela natureza e produzidos pelo homem.
A paisagem que observamos a qualquer momento não é um simples amontoado de elementos geográficos desordenados. Ela é, naquele determinado lugar e momento, o resultado de uma combinação dinâmica - portanto, em transformação - de elementos físicos, químicos, biológicos e humanos que, reagindo uns com os outros, fazem da paisagem um conjunto único e inseparável, em constante evolução.
A observação e a interpretação da paisagem são o ponto de partida para o entendimento das relações entre sociedade e natureza, o que nos ajuda a compreender melhor o mundo em que vivemos. Afinal, os processos sociais moldam as diferentes paisagens na superfície da Terra, numa relação de intensa interdependência.
Processos sociais como o êxodo rural, o de¬semprego e processos políticos relacionados à distribuição de renda provocam o favelamento nas cidades.
A construção das favelas transforma o ambiente natural de morros, rios, matas, alterando equilíbrios físicos e biológicos em prejuízo da própria condição da natureza e do homem.
Sendo a paisagem o resultado de múltiplas combinações de fenômenos - da natureza, das relações sociais, da cultura, da economia e da política - ela apresenta grande diversidade de formas e dimensões.
É a ação do homem que, no decorrer do tempo, transforma a paisagem natural em paisagem humanizada. A paisagem natural é aquela em que predominam os aspectos originais da natureza, tais como vegetação, recursos hídricos, relevo, clima e fauna.
A paisagem humanizada é a que já se transformou por intervenção humana e na qual há o predomínio visível das ações da sociedade. Então, a paisagem observada tem uma história, e a história da paisagem está expressa no espaço geográfico.
O QUE É O ESPAÇ.O GEOGRÁFICO?
É uma construção das sociedades humanas, que modificam as feições naturais da superfície terrestre por meio de constante intervenção. É nessa superfície, chamada de biosfera, um meio biofísico que constitui o hábitat das comunidades animais e vegetais que povoam a Terra, que as sociedades deixam suas "impressões digitais" a partir de suas necessidades e valores.
Qualquer comunidade, da mais simples e artesanal até a mais complexa e pós-industrial, imprime na superfície terrestre suas expressões culturais.
A sociedade se projeta e se expressa no espaço geográfico, mas, nesse processo, ela é simultaneamente instrumento e produto, pois enquanto constrói o espaço, ela própria se reconstrói.
Todas as mudanças no espaço geográfico alteram padrões ambientais, sociais e políticos. Os que estão relacionados ao avanço tecnológico trazem progresso e benefícios ao homem, mas também muitos problemas novos que precisam ser solucionados.
Se a sociedade é instrumento e produto, tal conceito evidencia a importância do papel de cada um de nós nela. Afinal, se somos nós que construímos nosso espaço e sua história, individual e coletivamente, precisamos observá-lo com olhar crítico para poder sempre melhorá-lo.
O espaço geográfico é a herança das gerações passadas e das gerações atuais para as futuras. É o produto de sua economia e de sua cultura, por isso, todo espaço geográfico construído em qualquer lugar da superfície terrestre tem história.
A paisagem é o aspecto concreto, palpável, que permite a percepção do espaço geográfico, com toda a sua dinâmica histórica e entrelaçamentos físico-culturais.
Mas não se conhece um espaço geográfico apenas pela aparência da paisagem, pois as explicações podem ser subjetivas, estar camufladas no local, ou precisam ser buscadas em outras dimensões do espaço, ou em outras épocas históricas e, muitas vezes, na ação política do Estado.
A SOCIEDADE TECNOLÓGICA
Para atender a suas necessidades materiais, o homem só dispõe da natureza, e dela sempre se valeu. Os primeiros homens exploraram a natureza por meio da coleta de plantas, da caça e da pesca, a fim de suprirem suas necessidades alimentares básicas. Eles organizavam o espaço físico de acordo com suas necessi¬dades de proteção e abrigo.
Fazendo uso da inteligência, os homens passaram a dominar a natureza por meio do uso de técnicas que melhoraram sua condição de vida. Os primeiros avanços técnicos nasceram, provavelmente, do acaso ou da imitação da natureza. A partir do instinto de preservação e da experimentação elementar, os homens foram percebendo acontecimentos casuais e, também, fatos decorrentes de suas intervenções, aperfeiçoando suas ações e acumulando conhecimento.
A descoberta e o uso do fogo no cozimento de alimentos, aquecimento e na iluminação, foram a primeira grande manifestação técnica da humanidade. Nessa época, nasceram tam¬bém as técnicas de aproveitamento da pedra lascada, usada como objeto cortante, que foi de grande importância para a construção de armas e utensílios domésticos.
Com a evolução, ao instinto e à casualidade, juntaram-se o conhecimento adquirido e a criatividade, diante dos novos desafios. As técnicas se aprimoraram com o uso da pedra polida, da agricultura, da domesticação e criação de animais, da conservação de alimentos etc. A seguir, veio a descoberta dos metais, com a utilização inicial do bronze e do ferro, o que ampliou a capacidade de o homem se impor perante as dificuldades impostas pelo meio.
Verdadeiramente, o desenvolvimento do homem, sua evolução técnica e a capacidade inventiva sempre estiveram ligadas a uma questão historicamente elementar, porém definitiva para a ocorrência do arranque e do aprimoramento das sociedades: a necessidade. Este é, provavelmente, o fator que transformou o coletor em agricultor e o caçador em criador, dentro da perspectiva de prover as necessidades alimentares do grupo de forma planejada.
Na associação da criatividade com a experiência, o homem construiu conhecimentos que têm como objetivo buscar soluções para problemas práticos. Assim nasceu a tecnologia: conjunto de conhecimentos, especialmente princípios científicos, que se aplicam a um determinado ramo de atividade para a geração de bens úteis à sociedade.
Sabendo que:
• a Geografia estuda as relações entre sociedade e natureza;
• o espaço geográfico é o produto histórico da aplicação de técnicas e conhecimentos acumulados pelas sociedades humanas sobre a paisagem em constante transformação;
• a revolução cientifico-tecnológica acelerou a velocidade das mudanças no tempo e reduziu as distâncias no espaço;
Podemos entender que a sociedade contemporânea é uma sociedade tecnológica, na qual as relações sociais se encontram profunda e intensamente marcadas pelas mídias e demais tecnologias, gerando novas configurações e complexidades.
Mas isso não começou do nada. O grande impacto tecnológico que a história conheceu, capaz de alterar profundamente as estruturas das economias e das sociedades da época, foi a 1 ª Revolução Industrial. Ela ocorreu na Europa, de meados do século XVIII ao final do século XIX, tendo a Inglaterra na sua liderança. A utilização da máquina a vapor, suprida pela queima de carvão mineral, possibilitou um aumento significativo da produção, especialmente a têxtil.
A 2ª Revolução Industrial, iniciada no final do século XIX, indo até a década de 1970, foi liderada especialmente pelos EUA. Foi marcada pela utilização do petróleo e da eletricidade, e teve caráter monopolista, com grande presença dos Estados na economia. Esse período foi marcado por grandes avanços técnicos e trabalhistas, tendo nas indústrias siderúrgicas, petroquímicas e automobilísticas suas principais representantes.
A 3ª Revolução Industrial iniciou-se nas últimas décadas do século XX, sendo marcada pelo domínio do conhecimento sobre o produto, com forte presença de setores como a informática, a robótica, as telecomunicações e a biotecnologia. Lideram esta fase o Japão, os EUA e os países da Europa Ocidental.
A 3ª Revolução Industrial é a base de sustentação de um dos fenômenos mais polêmicos na atualidade: a globalização. O rápido desenvolvimento científico-tecnológico modificou as relações de trabalho de quem efetivamente participa do processo produtivo, além de permitir o encurtamento das distâncias geográficas, colocando o mundo conectado pela informação em tempo real.
ESTATÍSTICAS EXPRESSAS EM GRÁFICOS
Para a Geografia, a estatística é uma ferramenta valiosa. Ramo da Matemática que lida com os dados ou elementos numéricos relativos a fatos ou fenômenos sociais e naturais, a estatística tem como objetivo medir ou esti¬mar a extensão desses fenômenos e verificar suas inter-relações.
Por isso, auxilia na análise, na compreensão e na explicação da realidade encontrada no espaço geográfico.
Tome-se, como exemplo, a população de um país. Inicialmente, é feito um recenseamento, isto é, são recolhidos todos os dados referentes ao objeto de estudo: população residente total, por gênero (masculino/ feminino), por idade, por região, população ativa etc.
Esses números são transformados em gráficos e tabelas, aos quais são aplicados métodos estatísticos, ou seja, métodos adequados para interpretar os dados recolhidos pelos órgãos recenseadores.
O resultado serve não só para comparar o passado e presente, como também para reconhecer as tendências que se "projetam" no a futuro. Dessa maneira, pode-se interferir no er processo, por meio de planejamentos estratégicos.
ELEMENTOS BÁSICOS QUE CONSTITUEM UMA ESTATíSTICA
• A variável - É o valor de um fato ou aspecto determinado, uma característica. Uma estatística pode mostrar uma ou mais variáveis.
• O espaço - É o lugar ou lugares a (aos) que (quais) se referem as variáveis, isto é, o universo da pesquisa ou o local onde são coletados os dados ou as informações.
• o tempo - É o momento preciso ou o perío¬do em que se medem as variáveis.
Em geral, cada um desses elementos aparece especificado no título da tabela ou do gráfico re¬sultante da pesquisa.
Exemplo:
A INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ESTATÍSTICOS
Uma estatística oferece informações qualificadas ou quantificadas sobre uma ou mais variáveis, em um ou vários espaços e em um tempo concreto. Em uma estatística podemos:
a) Ler os dados - Por exemplo, na tabela de "População dos conti nentes em 2000", lere¬mos: na África viviam 783.700.000 pessoas no ano 2000. E assim por diante.
b) Trabalhar com os dados - Podemos rea¬lizar uma série de operações com os dados, para obter mais informações.
• Ordenar os dados - Com os números da tabela ordenados do maior para o menor, pode¬se, por exemplo, constatar rapidamente quais eram os três continentes com maior número de habitantes no ano 2000.
• Fazer cálculos com os dados - Adições, subtrações, divisões etc. fornecem resultados que nos permitem obter mais informações do que a tabela inicialmente oferece.
• Relacionar as variáveis - Essa operação nos permite obter uma nova variável. Por exemplo, se relacionarmos a população de cada continente com a sua área, teremos uma nova variável: a densidade demográfica.
c) Explicar os dados - Não é suficiente saber ler os dados de uma estatística; também é preciso interpretá-los. Interpretar e explicar os dados significa buscar argumentos e todo tipo de causas que justifiquem o valor - alto, baixo ou médio - dos dados. Exemplo: Por que o continente asiático possui um número tão elevado de habitantes?
d) Representar graficamente os dados - Os gráficos nos permitem visualizar os valores das diversas variáveis mostrando o perfil da estatística.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
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